quarta-feira, 25 de janeiro de 2012



Uma entrevista de emprego:

- Você tem filhos?
- Tenho. Uma.
- Quantos anos tem?
- 7 meses.
- Mas você é casada?
- Não. Moro com minha mãe.

O certo seria a conversa parar por ali ou o entrevistador fazer um outro tipo de pergunta, já que ele já sabe que eu tenho uma filha, ela tem 7 meses, que eu não sou casada e moro com minha mãe. Ponto!
Mas não. Existe um bichinho curioso que faz com que as pessoas prossigam na falta de senso (em se tratando de uma entrevista). 

- Mas por quê? Você se separou do seu marido??

Ora, se não sou casada e moro com minha mãe, já está respondida a pergunta. Preciso explicar que sou mãe solteira, porque o pai não quis assumir a filha, não ajuda em nada e ainda liga pra perguntar como ela tá como se fosse o pai mais presente do mundo??
De que forma um estado civil, tendo você filhos ou não, interfere na qualidade do seu trabalho? O salário, por acaso, é X para pessoas separadas com filhos, Y para pessoas casadas com filhos, Z para mães solteiras, etc e tal??? Não. Se você é mãe solteira, seu patrão te dá, além do salário mínimo, um auxílio-mãe-solteira?? Muito menos. Então, minha gente, que tipo de pergunta indiscreta é essa?

Eu respondi:

- Isso.

E a próxima pergunta?


- Você se separou é isso??

- Filho, que parte do "não, moro com minha mãe.", você não entendeu?? Quer que eu desenhe? Você por acaso vai me dar um salário maior por causa disso?

É claro que a resposta acima só ficou na minha cabeça, minha boa educação não me permite responder desta forma, mas... Me poupe, né?

Gente, a mãe (solteira ou não) ela é uma MULHER, tem os mesmos direitos, deveres e qualificações que qualquer outra MULHER!! Não é o estado civil que vai definir se o trabalho dela será bem feito ou não. Já tive que ouvir que a pessoa (a que estava me entrevistando) normalmente não contrataria uma mulher com filhos, por não poder admitir faltas, no caso da babá não poder ir em algum dia. Ora, nessa vida, IN-FE-LIZ-MEN-TE, nós dependemos uns dos outros. Eu dependo da babá pra ficar com minha filha, ela depende de mim pra trabalhar na empresa dela, eu dependo dela pra ganhar meu salário e sustentar a minha filha e por aí vai. Se algum dia, a babá me disser: - Não posso ir hoje - Sem nenhum aviso prévio, ela vai me deixar na mão, claro, mas todo mundo tem imprevistos e pode precisar um dia ou outro se ausentar do serviço. O que eu vou poder fazer?? Infelizmente, ela vai atrapalhar meu serviço e eu vou atrapalhar o andamento da empresa. Mas poderia ser por qualquer outro motivo que não a falta da babá.

Mas pense você comigo, caro amigo leitor (ou leitora).


  • Você é homem, não tem que faltar serviço por causa de filhos, afinal a responsabilidade fica toda para a mãe, que falta o serviço pra levar a criança às pressas ao médico, ou simplesmente terá que faltar pelo simples fato de a babá ter faltado... Mas na última hora você (homem) não pode ir trabalhar... Ouvi um caso que  o carinha comeu uma pizza com a namorada, mas de madrugada e na parte da manhã, acordou ruim, vomitando, e com diarréia... Faltou ao serviço. Foi por causa de filhos? Não. Foi por muito menos. Mas cada um com seus problemas.
  • Você é uma mulher, sem filhos, solteira. Mas na última hora, surgiu um imprevisto, aconteceu um incidente, sei lá N coisas podem acontecer com qualquer um, e você IN-FE-LIZ-MEN-TE terá que faltar ao serviço.  Foi por causa de filhos? Não. Mas cada um com seus problemas.
Não acontece imprevistos a todo mundo?? Ou eu estou enganada?? É óbvio que se eu tivesse quem levasse minha filha ao médico em caso de necessidade, ou se eu pudesse deixar de última hora com a vovó ou com o papai, seria o céu. Mas a minha vida não é esse céu, minha gente. Eu BATALHO, corro atrás, engulo sapo, aceito ganhar pouco e trabalhar muito, etc...
Sou MULHER. Sou bonita, inteligente, responsável, educada. Tenho minhas qualificações, tenho meus problemas como mulher, doenças que aparecem do nada, e além do mais, sou mãe e, por isso mesmo, preciso do emprego! Tenho alguém sob minha responsabilidade a quem tenho que sustentar. Ponto. Se quiser me dar o emprego, ótimo. Senão. A fila anda! Beijo, não me liga!

Isso tudo pra dizer: 

- Ah, a gente vai conversar aqui e depois te ligamos pra te dar a resposta.

Hã???

Do site VilaClub



8 comentários:

  1. q coisa chata neh, as pessoas gostam de cutucar, saber as coisas q nem precisam, curiosos..
    ja me enchi muio cm gente me interrogando, sabe, qd engrvidei trabalhava com meu pai, e continue, sabe aquelas senhoras bem inchiridas, ficavam, mas vc casou??? não sabia q tinha casado, ta morando com o pai da criança?? me dava uma raiva, mas com o tempo, eu até ria da situação e ainda tirava as curiosas de plantão, ams é assim mesmo... mas e o serviço, não deu certo???

    bjus

    LIH

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    1. Olá, Lih! Coisas desnecessárias e desconcertantes. Para as pessoas é necessário que você tenha casado para ter um filho. Mas essa não é a realidade. Aposto que todas nós queríamos assim. Mas...
      Sobre o serviço, estou esperando a resposta. Bjs

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  2. Respostas
    1. Obrigada! Realmente passamos por estas e outras;
      #fazparte

      Bjs

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  3. Gente, mas isso é o cumulo do absurdo!!! Quando alguém te fazer essa pergunta, responda assim: "É MESMO NECESSÁRIO ESSA PERGUNTA?". Foi assim que tirei os abelhudos de plantão da minha cola. Mas de verdade, um profissional que faz entrevistas para seleção, deveria ser no minimo, discreto e evitar tais perguntas. pelo amor de Deus né?

    Beijos flor!

    Ps: espero que ao menos tenha conseguido o emprego!

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    1. Pois é, flor. Ainda por cima, no final das contas, disse pra esperar ela me ligar com a resposta. Deve pensar se uma mãe solteira merece o emprego ou não. Fazer o q? Até desanimei. Bjs

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Eu entendo muito bem isso, tenho uma filha de 4 anos e como você sempre tive que responder coisas desnecessárias. De tanto tentar achar um emprego resolvi não falar mais, não falo que tenho filha. Sei que isso é um pecado, mas é o único jeito de estar empregada.

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia, mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória.

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