quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hoje, às 2h da manhã, eu agarrei meu celular e encarei a escuridão. Eu estava convicta do que eu ia fazer, mas segurança era a última coisa que eu sentia. Procurei seu nome na lista, não que eu já não o tivesse gravado em minha mente, mas eu queria sentir a sensação de chegar em seu nome, olhar sua foto e me convencer de que isso não era uma loucura. 
Pois bem, cheguei ao seu nome e à sua foto. Olhei todos os detalhes sobre você que eu tinha me certificado de colocar (talvez para compensar o fato de só poder te ter "completo" como um contato em meu celular).
Olhei, pensei, chorei e enlouqueci mais um pouco. Afinal, era tudo uma preparação.
Repeti comigo mesma o que deveria falar; seria algo como "Oh, desculpe a hora, eu sei que é tarde..." E talvez, com muita sorte, você não reconhecesse minha voz, e eu pudesse curar toda a minha agonia ouvindo você xingar a maluca instável com problemas mentais que faz ligações às 2h da madrugada. Por isso, torci para que você tivesse apagado meu número.
Bom, eu já tinha tudo em mente, agora só faltava pressionar aquela pequena tecla verde e esperar que você atendesse. Mas e se o telefone não estivesse com você? E se estivesse desligado? E se você ainda dormir como uma pedra? E se eu tiver mesmo desordens mentais? E se...? E se? E se? Os "E se?" encheram minha mente.
Pensei seriamente em voltar a fazer algumas visitinhas à minha psicóloga, mas antes, eu realmente precisava completar esse último ato de loucura. O último, juro, e aí te deixo em paz! Eu só precisava ouvir sua voz, ou essa madrugada nunca teria fim. Apenas um "Alô?" e eu desligaria na sua cara, e torceria para que você não soubesse retornar ligações. Mas... Mas, mas... Não! Você vai me odiar. Vai ter mais medo de mim do que eu mesma. Não, eu realmente não posso fazer algo como is... Ah, merda, apertei o botão!
Ok, vamos manter a sanidade! Um "Alô, eu te amo e me desculpe!" e pronto! Ahhh, o nervorsismo começou a devorar minha alma e todo resto que ainda me fazia ser considerada uma pessoa "sã". O que está feito está feito! Então o silêncio me acolhe enquanto eu espero. E, finalmente, eu ouço uma voz:
"Seu saldo não é suficiente para completar essa ligação."
É. Mais duas garrafas de vinho barato e, quem sabe, eu supero essa?

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia, mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória.

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