segunda-feira, 24 de julho de 2017
Filha, queria conversar com você. Acho que essa é a hora
certa de te dizer algumas coisas. Talvez você ainda não entenda bem, mas não
sei se devo adiar mais, porque não sabemos quando algo pode acontecer e as
coisas podem ficar sem explicação pra você.
Antes de você chegar, o meu mundo não tinha mais razão de
ser. Explicando melhor, eu tinha perdido a vontade de continuar caminhando. Tinha
vontade de parar. Estava cansada, sabe? Mas não cansada de corpo, assim quando
você fica depois de brincar horas e horas e dá a hora de ir pra casa e você
sente que seu corpo não quer mais andar, quer só deitar na cama e dormir,
descansar. Não tô falando desse cansaço. Tô falando de um cansaço bem maior. Um
cansaço por dentro, talvez no coração. Uma tristeza. Não aquela tristeza que
você sente quando eu digo que não vou te levar pra passear por estar cansada.
Não é dessa tristeza que tô falando. Me refiro à uma tristeza bem maior. Enfim.
Não vou me aprofundar nisso agora. Mas espero que você nunca, em toda a sua
vida, conheça essa sensação de cansaço e tristeza das quais tô falando. Quero te
ver bem e feliz sempre. Sempre. Aliás, a última coisa que quero no mundo e em
toda a minha existência, é ver você sentindo essas coisas.
Então, eu resolvi ter você. Resolvi que tendo uma vida com a
qual me preocupar, eu não sentiria mais esse cansaço e essa tristeza tão
perturbadores. Eles me tiravam as forças, sabe? É isso. Eu não tinha mais
força. Sabe quando algumas vezes você estava quase adormecendo sem tomar banho
e eu fazia você levantar e ir pro banheiro? E seu corpo não queria ir, porque
queria só dormir. Ou quando você adormecia no ônibus e na hora de saltar eu te
acordava e seu corpo não queria responder? Você só queria continuar dormindo? As
pernas não obedeciam, tanto era o cansaço. Era mais ou menos isso que eu
sentia, mas de uma forma insuportável.
Daí você chegou. Não foi nada fácil, sabe, filha? Porque o
bom da vida, e é o que eu quero pra você, é que tenhamos alguém pertinho o
tempo todo pra nos ajudar enquanto esperamos um bebê. A gravidez tem momentos
incríveis, mas também tem momentos desconfortáveis, momentos de sensibilidade
extrema, momentos de medo, porque não sabemos como lidar muitas vezes e também
momentos de questionamentos. Um sentimento de: Será que vou saber fazer tudo
certinho? E nesses momentos, contamos
com o nosso esposo, o papai daquele bebê que está crescendo em nossa barriga. Filha,
quero te dizer isso. O meu desejo é que no momento em que você estiver
esperando o seu bebezinho, você tenha um esposo pra compartilhar esses momentos
com você! Quero que tudo seja diferente pra você! Porque eu não tinha o seu
papai por perto, filha. Eu fiz tudo errado. Eu estava perdida e acabei deixando
as coisas fora de controle. E tive momentos de muita tristeza por isso, sabe,
filha? E ainda tenho, porque até hoje o seu papai não está presente como
deveria ser. E a culpa é minha. Te peço desculpas, perdão por isso. Você merece
ter o melhor pai desse mundo e eu não pensei nisso quando te gerei, porque eu
estava preocupada com as minhas tristezas e meu cansaço.
Mas, filha, depois que você chegou tudo mudou. As coisas
passaram a ter cor, razão, sentido. E eu passei a viver pra você, por você. E sei
que muitas, muitas vezes eu te entristeço e me entristeço também. Mas muitas
alegrias eu tenho pelo fato de ter você! Aquele orgulho que sinto quando vejo
você aprendendo a ler poucas palavras, desenhando bonequinhos com olhos, boca,
cabelo... Às vezes sem os bracinhos, tá certo. Mas sei que isso tem um
significado. Alguma coisa te falta, filha. Talvez o afeto paternal, talvez a
estrutura familiar... Mas saiba que eu me culpo todos os dias por isso. E só
peço que você faça diferente de mim... Cresça, se ame, estude, tenha uma
profissão, namore um rapaz que te respeite, te ame, cuide de você... E depois
se case. E só depois pense num bebê. Pra que as coisas funcionem minimamente
bem. Tá certo que nem sempre as coisas funcionam bem, mesmo seguindo essa ordem.
A vida nos dá rasteiras e, devo te dizer, algumas pessoas também. Decepções são
normais, embora muito doloridas. Não posso esconder isso de você, muito pelo
contrário, devo te alertar, porque te amo e quero que você saiba lidar com as
frustrações, como não me ensinaram. Mas também, filha, não se sinta obrigada
pela sociedade ou por familiares ou amigos, etc, a seguir padrões, porque por
causa deles às vezes viramos bonecos, robôs, pessoas manipuladas e, com isso,
frustradas por não conseguirmos atingir esses padrões. Só te aconselhei a crescer, se amar, estudar, etc, porque
assim as coisas têm mais chances de darem certo e assim você não se torna
alguém como eu. Eu não sou ruim. Não é isso. Só não segui os bons exemplos,
porque não tinha muito a minha volta e com isso me perdi. Minha família é
totalmente disfuncional. Sempre foi, apesar de querer mostrar ao todos que não.
Mas sei que mesmo fazendo parte dessa família, você pode vencer. Ninguém conversou
comigo assim antes, porque talvez (com certeza) tudo seria diferente agora...
Te amo, filha... E quero que você seja a pessoa mais feliz
desse mundo!!
Com o maior amor do mundo, mamãe...
Com o maior amor do mundo, mamãe...
Marcadores:Cartas para Bia,Mãe solteira | 0
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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Então, tô de volta!
Esse
blog tem 5 anos, escrevo desde a gravidez. Fui uma grávida solteira e
adivinhem??? Permaneço solteira! Pois é. Não tá fácil, viu?
Mas venho dizer que to a
fim de terminar de vez o ciclo desse blog e recomeçar. Recomeçar em outro
ambiente. Lá não vou deixar de contar meus desafios da maternidade solo, pois
conheci pessoas que me ajudaram e eu também pude ajudar muita gente através
desse blog e eu o AMO. É o meu xodó. Ainda pretendo reler minhas postagens pra
que eu mesma possa ver que o pior já passei e poder erguer minha cabeça nas
horas de maior dificuldade.
Quero deixar claro que
durante esses anos desisti de me intitular MÃE SOLTEIRA, mas as pessoas
continuam me rotulando assim (não ligo). E as próprias mães continuam se rotulando assim.
Então vou deixar algumas tags no novo blog pra que as ‘mães solteiras’ possam
me encontrar com facilidade ao fazer uma pesquisa no Google, por exemplo. Mas eu mesma não gosto de me rotular mais assim. Mãe é mãe e pronto. Solteira, sim, é um
estado civil, mas ‘mãe solteira’ não é estado civil. Sou mãe e estou solteira.
Ponto. Não me vitimizo por conta disso e também não me orgulho disso. Mas por
erros meus, crio minha filha sem a presença do pai. Erro de escolha, negligência, etc. Se pudesse, faria tudo diferente.
Em 2011, 2012 (aqui também) e 2016 eu
fiz listinha de Ano Novo. E agora resolvi voltar, rever minhas listas
anteriores, checar pra ver o que realizei e fazer uma pra 2017. Vou deixar aqui
minhas realizações e vou postar no novo blog também. E lá posto minhas novas
metas.
____________________________________________________________________
Em 2012 e 2013 eu pretendia / O que realizei ou não / Meta pra 2017:
ä
- EMAGRECER 20 KILOS. (Engordei 15 depois da gravidez.) Emagreci bastante
após a gravidez, mas fico sempre com +- uns 5 quilinhos a mais e depois emagreço. Depois
volto a engordar e por aí vai. Agora estou 7 quilos acima do peso.) META 2017
- FAZER UMA TATOO. (Ainda não consegui. Money ä) META 2017
- VOLTAR A IR À PRAIA. (Fui a praia no fim de 2015 muitas vezes, mas freqüentar
como antes da maternidade, nunca mais consegui.) META 2017
- VOLTAR A IR AO CINEMA. (Também não voltei a freqüentar cinemas, fui poucas
vezes e levei Bia agora em 2016 pela primeira vez.) META 2017
- IR À IGREJA (Ou voltar às baladas?) Voltei à igreja, mas saí de novo. Agora tô nas
nights. Não curto balada mais, vivo cansada e quero sentar sempre. Então vou a
barzinhos e às vezes viro a noite. Mas sempre sentada. Hahahhaha)
- FAZER UM LIVRO DO BEBÊ DE ANNA BEATRIZ. (Nunca fiz L)
- REVELAR TODAS AS FOTOS QUE PRECISO. (Tenho zilhões de fotos pra revelar, mas nunca revelo.)
- COMPRAR UMA CADEIRA PRO MEU PC. (Nunca comprei e agora uso o notebook, então não
vou mais comprar. Rsrsrs)
- ESTUDAR PARA ALGUMA COISA! (Comecei a faculdade esse ano! Uhuul! Ah, e fiz um
concurso também - EBSERH)
- JUNTAR DINHEIRO. (Para o final do ano de 2012
e para o aniversário de Nanna.) (Nunca
juntei.) META 2017
- TRATAR ESTRIAS. (Tratei durante um tempo, depois não tive mais Money,
então elas ficaram aqui.)
- PINTAR O CABELO DE VERMELHÃO. (Pinteeeei!!!!! Mas depois enjoei.)
- TRATAR VASOS NA PERNA. Varizes. (Nunca tratei, mesmo trabalhando no hospital.) META 2017
- VER/tratar A DORMÊNCIA DA PERNA. (Após a gravidez, tive essa dormência durante muito
tempo, depois foi embora sozinha. Que bom.)
- TRATAR OLHEIRAS. (Elas continuam aqui. Money ä)
- FAZER ÓCULOS E LENTES. (Fiz meu óculos de oncinha, mas lentes nunca fiz.)
- FAZER NOVA IDENTIDADE. (A minha tá um Ó.) (Fiz uma nova, mas a foto está tão horrível que
quero fazer outra. Rsrsrsr)
- IR AO DENTISTA. (Fui ao dentista, fiz tratamento e já preciso ir de
novo.) META 2017
_____________________________________________________________________
Em 2016 eu pretendia (veja aqui) / O que realizei ou não / Meta pra 2017:
ä
_____________________________________________________________________
Em 2016 eu pretendia (veja aqui) / O que realizei ou não / Meta pra 2017:
ä
♥ Pretendia voltar pra casa da minha mãe,
porque pretendia iniciar minha faculdade de Psicologia e morar numa República
próxima ao trabalho e à faculdade. Me mudei, iniciei a faculdade, mas continuei
morando com minha mãe. Visava morar numa República por conta do meu bem estar,
assim não pegaria mais trânsito e
melhoraria minha qualidade de vida, mas preferi abrir mão disso pra
ficar mais perto da minha filha, que ficou muito mais apegada a mim.
♥ Escrever um Semanário, ao invés de diário.
Toda semana ia fazer um resumo dos acontecimentos, mas não consegui
continuar.
♥ Queria voltar à academia, mas não consegui. META 2017
♥ Queria aprender inglês, mas não pude e ainda
não posso bancar. Tentei aprender alguma coisa pelo APP DUOLINGO, mas parei por causa da
faculdade, que tomava o meu tempo. META 2017
♥ Escrever mais no Blog e no meu Semanário.
Tenho um Blog anônimo, onde desabafava sobre coisas que não contaria a ninguém,
mas não dei
continuidade também por falta de tempo.
♥ Queria gravar vídeos para o YouTube. Cheguei a
gravar um, mas
nunca editei e nem postei. Quem sabe agora? META 2017
♥ Queria aproveitar mais o tempo com minha
filha, fazer coisas legais e ter mais, muito mais paciência com ela. Desejava
intensamente ser uma mãe melhor. Em muitos momentos não consegui, mas me esforcei
e acho que tive um saldo positivo. META 2017
♥ Queria tirar mais fotos de detalhes dos meus
dias pra me recordar de cada momento, mas não foi como eu queria. Será que nesse ano
consigo?
META
2017
♥ Voltar e manter meus 63 kg . (Tomei Sibutramina
mais uma vez, mas me sentia muito mal com as palpitações, então tive que parar.)
Não consegui
voltar aos 63kg. META
2017
_____________________________________________________
Bem, essas foram minhas metas para 2012, 2013 e 2016, algumas adiadas, outras canceladas e poucas cumpridas. gora se inicia mais um ano e o contador recomeça. Novas chances. No próximo post vou relacionar as novas metas pra 2017!!!
FELIZ ANO NOVO PRA TODOS!!!
Veja aqui minhas metas pra 2017!
Marcadores:Ano Novo,Listas,Mãe solteira | 1 COMENTÁRIOS
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Lendo uma matéria sobre
uma carta que a esposa traída enviou à ex-amante do seu marido, muitas coisas
me voltaram à cabeça e decidi escrever uma também. Não quero que o
destinatário leia, nem há essa possibilidade, mas desejei escrever como uma
forma de desabafo.
Querida ex do meu ex,
Há
algum tempo você decidiu me enviar uma mensagem através do meu bate-papo no
Facebook e isso foi como um grande soco no meu estômago. Aliás, foi como socos
seguidos no estômago. Lembra-se que dia era? Dia 31 de dezembro, véspera de Ano
Novo. Estávamos pra lá e pra cá, meu namorado, nossos amigos e eu, arrumando
tudo para o nosso réveillon. Sempre amei viradas de ano. Talvez fosse uma das
duas melhores datas pra mim, porque a outra era quando eu fazia aniversário.
Queria que você tivesse esperado pelo menos até o dia 1º de janeiro.
Eu
me perguntava por que você escolheu essa data. Na certa sabia o quanto
estragaria o momento de felicidade que preparávamos pra passarmos juntos, eu e
meu namorado. Sabia o quanto seria marcante pra mim e que teria uma grande
briga naquele dia, satisfazendo assim o seu ego, a sua vontade e também
colocando em prática o seu plano de vingança. O fato era que o seu ex não queria
mais voltar a ter um relacionamento com você, mesmo que casual, como foi relatado
por você mesma na mensagem que me enviou.
Pensava também em como
você me odiava por eu ter entrado na vida do seu ex, como se eu fosse a culpada
do término do relacionamento que já havia acabado há anos. Até minha filha você
atacou com suas palavras, tamanho era o ódio. E minha filha, com apenas três
anos, o considerava como pai. Não tinha culpa também.
Sei
bem o quanto é ruim amar alguém que não nos ama. Sei como é passar dia após dia
pensando naquele cara e desejar a presença dele com todas as forças. E sei o
quanto fere saber que ele já está em outra, já refez a vida e seguiu. E era
isso que você sentia. Mas se ele não queria mais ter uma vida com você (ou pelo
menos ele dizia e demonstrava isso), eu já não podia fazer mais nada. Não foi
culpa minha. Nos conhecemos bem depois da separação de vocês.
Me
perguntava também por que você deixou se passarem 6 meses para me contar sobre
a traição. Será que foi quando você perdeu a esperança de tê-lo junto a você
novamente numas horas de sexo casual?? Quem sabe depois dessas horas de “amor”
de vocês, você não achou que ele iria me abandonar pra voltar pra você?Ou pelas
duas coisas?? E o quanto esse encontro foi premeditado por você?? Você
realmente queria apenas umas horas de sexo com ele ou apenas uma forma de me
ferir quando me contasse? Ou ainda apenas nos separar?? Mas ele não me deixou e
isso te feriu ainda mais. E você teve duas opções: ou deixar que ele seguisse
em frente e tentasse ser feliz ao meu lado ou destruir aquele relacionamento
que te cortava o coração. Você escolheu a segunda opção. E você esperou o
momento certo pra me contar. Talvez você já não agüentava mais nos ver sorrindo
juntos nas redes sociais. Tantas perguntas que já não espero resposta. Eu não
entrei em seu relacionamento, você que entrou no meu.
Você
disse naquela mensagem que ele havia me traído com você no dia 11 de junho, um
dia antes do dia dos namorados. Aliás, ele me enviou um buquê de rosas lindas
no meu trabalho no dia 12, as quais joguei no lixo, porque ele havia sumido no
dia anterior realmente e, pela primeira vez, desligado o celular. Estávamos
realmente brigados, mas liguei muitas vezes pra ele e estranhei saber que tinha
desligado o telefone, porque mesmo quando brigávamos, ele não fazia isso.
Então, 6 meses depois quando você me enviou a mensagem me detalhando até sobre
a desculpa que ele tinha dado, eu juntei o quebra-cabeça e não tive dúvidas de
que era verdade. E também não tive dúvidas de que foi tudo premeditado. Só ele
não percebeu a cilada em que estava se metendo. Homens são assim.
Foi
bizarro pra mim, saber que o meu namorado tinha me traído com a ex que ele mais
odiava, que odiava com todas as forças e por quem sempre fazia discursos de
ódio. Até a sua morte o ouvi desejar tantas vezes. Então saber que a traição
havia sido exatamente com você, me deixou duplamente dilacerada. Traição dupla.
Nós
brigávamos, sim, como muitos casais por aí. Nunca fui perfeita e várias vezes
brigava com ele por achar que eu não era pra ele o que ele era pra mim. Cobrava
mais atenção. E quando soube da traição, vi o quanto eu estava certa quando
achava isso. Talvez você fosse mais importante pra ele do que eu, mesmo não
havendo mais relação entre vocês. Em questão de sexo, sei que eu não deixava a
desejar, então não entendo até hoje o porquê dessa recaída, diante de todas as
coisas que eu o ouvia falar contra você, mesmo sendo mãe do filho dele.
Hoje
em dia, eu os perdoei, não sinto ódio, raiva, mágoa, nem nada. Mas queria que
você soubesse o quanto foi difícil pra mim. Foi o pior réveillon da minha vida.
Terminamos, ele negou durante muito tempo, até que confessou, uma vez que não
tinha como negar a data e os fatos. A minha filha, como eu disse, o considerava
um pai e ficava perguntando por ele todos os dias, durante mais de um ano. Até
hoje pergunta e o chama de pai.
Depois
eu resolvi tentar novamente, não o havia perdoado, nem jamais tinha aceitado,
mas tentei dar uma chance. Fomos morar juntos, fizemos chá de casa nova,
compramos móveis juntos, montamos nossa casa do nosso jeitinho. Pintamos juntos
a parede do quarto, pra dar um toque no nosso “ninho de amor”. Mas em nenhum
minuto eu era capaz de esquecer aquela traição. Então eu orava sozinha,
orávamos juntos, eu chorava diariamente querendo sentir o perdão. Mas não teve
jeito. Não teve como fazer amor, olhar nos olhos, me sentir feliz. A tristeza
era constante, as brigas pioraram. Abri mão dele. Mandei-o embora. Acabou ali
um namoro e um “casamento” que poderia ter dado certo.
Hoje
trabalhamos no mesmo local, nos vemos de vez em quando e nossa vida juntos me
vem à cabeça. Só eu sei o quanto eu desejei formar uma família com ele. Mas você
entrou no meio. Não apenas por ter entrado, porque, afinal, ele quis. Mas por
ter me contado no intuito de me ferir a ponto de eu não agüentar dar
continuidade.
Mas
ele já formou outra família. Está feliz.
Eu espero que você esteja
feliz também com sua nova família. Pelo jeito quem saiu perdendo nisso foi só
eu mesma. Cada um seguiu sua vida.
Eu
espero também que você tenha aprendido com essa história e encontrado o amor,
de modo que você não precise mais se enfiar no relacionamento de ninguém. E desejo
muito que você nunca passe pelo que vocês me fizeram passar. Porque dói. Eu não
confesso pra ninguém, mas dói até hoje.
Encontre a paz e deixe as
pessoas viverem em paz!
Marcadores:Cartas,EX | 4
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sexta-feira, 22 de julho de 2016
Hoje acordei com vontade de escrever cartas. Cartas à mão como aquelas que escrevi no passado. Lembro-me bem como me sentia feliz quando via uma carta endereçada a mim quando eu era ainda adolescente. E fui procurar no Google sobre isso pra ver quantas pessoas ainda se importam em escrever cartas... Não encontrei muita coisa e até tive uma ideia de fazer uma página onde as pessoas possam colocar seus endereços se desejarem receber uma carta amiga de pessoas de todo lugar do mundo...
Mas jogando no Google, cheguei até esse blog e me deparei com essa postagem, que na verdade foi uma postagem de Facebook em forma de “carta”.
Me senti tão ‘garota do maiô verde’!!! Já tive muitos momentos assim na adolescência e na fase adulta também, onde me escondia e nem mesmo ia dar um mergulho no mar por vergonha do meu corpo.
Aí está a postagem com palavras que eu mesma escreveria a alguém hoje em dia...
Antes de mais nada, quero te dizer que estou me divertindo muito perto de você e de seus amigos, neste pedacinho de tempo em que nossos espaços se tocam e suas risadas, sua conversa ‘transcendental’ e a música de sua turma me invadem o ar.
Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento de minha vida deixei de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças.
Mas não te escrevo por nada disso. Escrevo porque gostaria de te dizer que prestei atenção em você. Te percebi, e não pude evitar te ver.
Vi que você foi a última a ficar só em traje de banho. Vi você ficar atrás de todo o grupo, discretamente, e tirar a camiseta quando acreditava que ninguém estava olhando. Mas eu estava. Não estava olhando para você, mas te vi.
Vi você se sentar na toalha em uma postura cuidadosa, tapando o ventre com os braços.
Vi você colocar o cabelo atrás da orelha inclinando a cabeça para alcançá-la, talvez para não tirar os braços de sua estudadíssima posição casual.
Vi você se levantar para ir dar um mergulho e engolir em seco, nervosa por ter de esperar assim, de pé, exposta, por sua amiga, e usar uma vez mais seus braços para encobrir as estrias, a flacidez, a celulite.
Vi você agoniada por não conseguir tapar tudo ao mesmo tempo enquanto ia se afastando do grupo tão discretamente como tinha feito antes para tirar a camiseta.
Não sei se tinha algo a ver, em sua insatisfação consigo mesma, o fato de a amiga por quem você esperava soltar a longuíssima cabeleira sobre as costas em que só faltavam as asas da Victoria’s Secret. E enquanto isso você ali, olhando para o chão. Procurando um esconderijo em si mesma, de si mesma.
E eu gostaria de poder te dizer tantas coisas, querida garota do maiô verde… Talvez porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha.
Eu gostaria de poder te dizer que, na verdade, estive na sua toalha e na de sua amiga. Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas – assim, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida em vez de me preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a dela ou a sua, prefiro estar.
Queria poder te dizer que vi que carrega um livro na bolsa, e que qualquer ventre que agora tenha seus dezesseis anos provavelmente perderá a firmeza muito antes de você perder o juízo. Eu gostaria de poder te dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena estar tão ocupada em se esconder que não te sobre tempo para sorrir mais vezes.
Eu gostaria de poder te dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é belo simplesmente por ser jovem. É belo só por estar vivo. Por ser invólucro e transporte de quem você realmente é e poder te acompanhar em tudo que você faz.
Eu adoraria te dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e tantos porque talvez então percebesse o muito que merece ser amada, inclusive por você mesma.
Eu gostaria de poder te dizer que a pessoa que um dia te amar de verdade não amará a pessoa que você é apesar de seu corpo e sim adorará seu corpo: cada curva, cada buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que se desenha em seu corpo e, se não o fizer, se não te amar desse jeito, então não merece seu amor.
Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime em sua imperfeição.
O que posso te dizer eu, que sou só a mulher do lado?
Mas – sabe de uma coisa? – estou aqui com minha filha. É aquela do maiô rosa, a que está brincando no rio e se sujando de areia. Sua única preocupação hoje foi se a água estava muito fria.
Não posso te dizer nada, querida garota do maiô verde…
Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.
E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.
Porque é assim que todos merecemos ser amados.
POR Jéssica Gomez http://jessicagomezautora.com/
Mas jogando no Google, cheguei até esse blog e me deparei com essa postagem, que na verdade foi uma postagem de Facebook em forma de “carta”.
Me senti tão ‘garota do maiô verde’!!! Já tive muitos momentos assim na adolescência e na fase adulta também, onde me escondia e nem mesmo ia dar um mergulho no mar por vergonha do meu corpo.
Aí está a postagem com palavras que eu mesma escreveria a alguém hoje em dia...
Querida garota do maiô verde,Sou a mulher da toalha ao lado. A que veio com um menino e uma menina.
Antes de mais nada, quero te dizer que estou me divertindo muito perto de você e de seus amigos, neste pedacinho de tempo em que nossos espaços se tocam e suas risadas, sua conversa ‘transcendental’ e a música de sua turma me invadem o ar.
Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento de minha vida deixei de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças.
Mas não te escrevo por nada disso. Escrevo porque gostaria de te dizer que prestei atenção em você. Te percebi, e não pude evitar te ver.
Vi que você foi a última a ficar só em traje de banho. Vi você ficar atrás de todo o grupo, discretamente, e tirar a camiseta quando acreditava que ninguém estava olhando. Mas eu estava. Não estava olhando para você, mas te vi.
Vi você se sentar na toalha em uma postura cuidadosa, tapando o ventre com os braços.
Vi você colocar o cabelo atrás da orelha inclinando a cabeça para alcançá-la, talvez para não tirar os braços de sua estudadíssima posição casual.
Vi você se levantar para ir dar um mergulho e engolir em seco, nervosa por ter de esperar assim, de pé, exposta, por sua amiga, e usar uma vez mais seus braços para encobrir as estrias, a flacidez, a celulite.
Vi você agoniada por não conseguir tapar tudo ao mesmo tempo enquanto ia se afastando do grupo tão discretamente como tinha feito antes para tirar a camiseta.
Não sei se tinha algo a ver, em sua insatisfação consigo mesma, o fato de a amiga por quem você esperava soltar a longuíssima cabeleira sobre as costas em que só faltavam as asas da Victoria’s Secret. E enquanto isso você ali, olhando para o chão. Procurando um esconderijo em si mesma, de si mesma.
E eu gostaria de poder te dizer tantas coisas, querida garota do maiô verde… Talvez porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha.
Eu gostaria de poder te dizer que, na verdade, estive na sua toalha e na de sua amiga. Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas – assim, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida em vez de me preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a dela ou a sua, prefiro estar.
Queria poder te dizer que vi que carrega um livro na bolsa, e que qualquer ventre que agora tenha seus dezesseis anos provavelmente perderá a firmeza muito antes de você perder o juízo. Eu gostaria de poder te dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena estar tão ocupada em se esconder que não te sobre tempo para sorrir mais vezes.
Eu gostaria de poder te dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é belo simplesmente por ser jovem. É belo só por estar vivo. Por ser invólucro e transporte de quem você realmente é e poder te acompanhar em tudo que você faz.
Eu adoraria te dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e tantos porque talvez então percebesse o muito que merece ser amada, inclusive por você mesma.
Eu gostaria de poder te dizer que a pessoa que um dia te amar de verdade não amará a pessoa que você é apesar de seu corpo e sim adorará seu corpo: cada curva, cada buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que se desenha em seu corpo e, se não o fizer, se não te amar desse jeito, então não merece seu amor.
Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime em sua imperfeição.
O que posso te dizer eu, que sou só a mulher do lado?
Mas – sabe de uma coisa? – estou aqui com minha filha. É aquela do maiô rosa, a que está brincando no rio e se sujando de areia. Sua única preocupação hoje foi se a água estava muito fria.
Não posso te dizer nada, querida garota do maiô verde…
Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.
E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.
Porque é assim que todos merecemos ser amados.
E é assim que todos deveríamos amar.
POR Jéssica Gomez http://jessicagomezautora.com/
Quantas e quantas vezes deixamos de nos divertir,
aproveitar os momentos, as pessoas entre outras coisas,
por nos preocuparmos com o que as pessoas estão achando de nós???
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- Nih Ferreirat
- Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia (mas cheia de problemas de cabeça. rsrrsrsrs), mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória, dos meus sentimentos, minhas muitas lamentações, etc.
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