sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Lendo esse texto do site http://odivaadellas.blogspot.com, me emocionei de montão. As meninas do site sempre têm as palavras certas pra cada assunto. Que dom de escrever elas têm. Como estou sempre acompanhando, vez ou outra compartilho com vocês aqui o que leio lá e convido todos a visitarem o site delas.

Como estou passando pela mesma coisa que a Cinthya, nossa, meus olhos se encheram de lágrimas. Sou mãe solo também, minha menininha de 5 meses tá dodói também, também tenho dormido muito pouco, estou com uma aparência péssima, dói ver minha menina tentando dormir, mas não conseguindo porque o nariz está obstruído. E ela chora de um lado e eu com o choro parado na garganta. Tudo isso: SOZINHA. O texto caiu como uma luva.






(by Cinthya)

Vida de Mãe Solteira não é fácil.  A gente vai tirando de letra, é fato. Mas sei que sequelas vão se aglomerando dentro de nosso emocional e a gente finda por moldar-se, mesmo que inconscientemente. De repente a gente se vê presa em pensamentos e atitudes que antes não condiziam conosco. A gente vai aprendendo a conhecer um lado da vida que antes era totalmente desconhecido. E você descobre nas pessoas a admiração por você e também o asco e o preconceito que muitos te lançam. E isso, por mais que a gente não dê bola, machuca e fica guardado em algum lugar aqui dentro.

Meu filho está dodói. Há duas noites eu não durmo bem, cuidando dele, verificando a temperatura, pondo remédio para desobstruir o nariz, tentando acalmá-lo. Pela manhã o deixo chorando: "Mãe, porque você tem que ir trabalhar? Por que você não fica pra cuidar de mim?". E saio. Com o coração despedaçado, mas com a certeza de que tenho que ir, tenho que ganhar o nosso pão.

No trabalho, poucas pessoas se importam se você está 100% ou 10%, o trabalho tem que ser feito e os resultados são cobrados. Você trabalha, cansada, sonolenta e preocupada, mas trabalha e consegue atender à demanda. Louca pra chegar em casa você se desmancha em zelos com o filho. Cuida, vê se a medicação foi ministrada corretamente, vai ao médico novamente, conta o dinheiro pra ver se dá pra comprar os demais remédios.

Você nem tem tempo pra chorar ou se sentir fraca. É tudo muito intenso e tudo sobrecai sobre você mesma. Então, não dá pra pensar muito. É agir ou agir. Não temos escolha. Se o filho chora, é você quem tem que acalentar, mesmo com o coração em pedaços, você tem que ser forte e acalentar. Se ele te pergunta "Mamãe, porque tá doendo?" é você quem tem que engolir à seco e procurar a melhor resposta para dar pra ele.

Quando enfim ele adormece nos seus braços você desmorona. É o único momento em que você pode chorar sem que ninguém veja. É o momento onde você sente o reflexo do peso das emoções do dia. É o momento no qual você se despe da roupa de Mulher Maravilha e chora como uma simples mortal.

Aí você olha pro filho, tão inocente, tão dependente de você e vê que a vida te deu um laço que nunca, em hipótese alguma será desfeito. Um amor tão grande e tão forte que chega a doer. Um misto de sensações de poder e impotência tomando conta do mesmo ser, ao mesmo tempo.

À todas as Mães em Carreira Solo (assim como eu), o meu abraço, o meu respeito e a minha admiração. E, que Deus proteja os nossos filhos.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

                                         





Querida mamãe,


Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você apareceu. Ainda bem.

Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo. Mas não tente negar, você estava com pressa para ir dormir outra vez.

Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos, tão legal que eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas, acordei a casa inteira cinco vezes.

Pela manhã, nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo. Os adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas de relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer.

Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e que eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la doida para saber o que ando fazendo e, então, você vai entender como me sinto agora.

Mas não precisamos dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos entender, inclusive pelas palavras. Sinto a angústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência. Você também, mas vive tudo isso como uma adulta consciente. Eu ainda estou vivendo no inconsciente. Eu não sei nada, tudo é tão novo para mim aqui fora. Mas eu tenho absoluta certeza de que eu vou aprender tudinho o que você me ensinar por seus sentimentos em relação a mim.

Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando eu chorar à noite, não salta logo para o meu quarto desesperada como se o mundo fosse acabar. Espere um pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar.

Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência pois, nós bebês, somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas ficarem bem molenguinhas, aí sim, pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.

À medida que você desenvolver sua paciência, mamãe, eu estarei desenvolvendo a minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais. Apenas noites de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo na vida.

*Claudia Rodrigues. Jornalista e Terapeuta Somática.

Esse texto é para todas as mamães e papais que, assim como eu ,infelizmente, ficam várias noites em claro. Paciência! E amor.

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Aos 34 anos, sagitariana com ascendente em capricórnio (discordo, mas fazer o quê?!), do Rio de Janeiro (com louca vontade de morar num lugar tranquilo), estudante de psicologia (mas cheia de problemas de cabeça. rsrrsrsrs), mãe e pai da pequena Bia, de 5 anos. E esse blog fala da nossa trajetória, dos meus sentimentos, minhas muitas lamentações, etc.

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